<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921</id><updated>2012-02-16T17:15:21.709-08:00</updated><category term='Quipedro'/><category term='exposição - venda'/><category term='jornalismo porto'/><category term='Assembleia Geral'/><category term='Memória Perecível'/><category term='Colapso do jornalismo no Porto'/><category term='ajhlp'/><category term='associação dos jornalistas e homens de letras do porto'/><category term='jorbal de Notícias'/><category term='Centenário da República'/><category term='César Príncipe'/><category term='Jornalistas despedidos. porto'/><category term='Máquina de escrever'/><category term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Homens de Letras</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-9095290132786905530</id><published>2010-10-10T04:07:00.000-07:00</published><updated>2010-10-10T04:15:03.404-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='exposição - venda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ajhlp'/><title type='text'>As mãos, a alma</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/TLGelzVP33I/AAAAAAAAABA/fNBkjAYbtGw/s1600/jaimeisidoro.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 262px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/TLGelzVP33I/AAAAAAAAABA/fNBkjAYbtGw/s400/jaimeisidoro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5526372590031986546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Obras de Jaime Isidoro Armando Alves Augusto Baptista Acácio Carvalho Alberto Péssimo Fernando Lanhas José Emídio José Rodrigues Manuela Bronze Roberto Machado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inauguração a 13 de Outubro de 2010, pelas 18h30, na AJHLP.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decrepitude atirou-os para o armazém do Farrapeiro de S. Vicente de Paulo. Eles que foram moda – a moda – chegavam ao fim. Nus e resignados, silenciosos como árvores. Como velhos sozinhos. Alguns amputados no corpo, todos eles vazios de alma. Personagens sem nome na aluvião do devoluto. Do que foi vida e, graças a generosidade arcaica (será caridade?), se liberta do lixo. De ser resíduo sólido. Os manequins aportaram ali, cediam uma réstia de alvura à obscuridade do lugar. Entre camas e televisores a preto e branco, entre cadeiras de rodas e brinquedos, enxergas e discos de vinil. Livros, os livros, silenciosos também como bicho-de-conta, encontram-se ao fundo, quase emparedados por enormes guarda-fatos expulsos de casas de harmonioso pé direito. E foi uma visita aos livros, cansados e com marca de posse, seja o primeiro tomo das Obras Escolhidas de Lenine ou as Reflexões sobre a Graça, de Charles Journet, que permitiu o inesperado encontro com a despojada família. O negócio fez-se no momento; no dia seguinte, os manequins iluminavam, com a sua tímida presença, o único espaço habitável da sede da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto – também ela, nessa altura, de alma magoada, entontecida pelo burburinho das pombas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resgatados da aluvião do devoluto, quedaram, contudo, no mesmo melancólico silêncio. O corpo é o lugar onde a “alma se exila” na sua passagem terrena, por isso os crentes vêem a morte como “dádiva” singular. Mas os manequins estavam mortos e de alma nunca fruíram – o seu corpo sempre foi corpo desabitado. De vida careciam, de suave luz interior: uma listra negra colada em redor dos ombros, pedaço de jornal a agasalhar a nudez, pingos de tinta como chuva colorida no rosto. A mão, as mãos, o gesto. A arte. E eis as distantes criaturas tocadas pelas paixões da alma. De súbito, cheias de indecência e de pudor. Sedutoras e fugidias como seres marinhos. Dóceis como palavras humildes. Esta prodigiosa transmutação (o quase-lixo vira obra de arte) deve-se a Jaime Isidoro, Armando Alves, Acácio Carvalho, Alberto Péssimo, Fernando Lanhas, José Emídio, José Rodrigues, Manuela Bronze e Roberto Machado. Foram eles, num gesto solidário a vários níveis, que reinventaram a alma, múltipla e a cores. Ao grupo junta-se outro nome: Augusto Baptista. Para que dúvidas não restem, com engenho e rigor, fixou alguns momentos do momento criativo. E, mais do que isso, as suas fotografias mostram-nos o diálogo do criador e da criatura, da criatura e do criador. Idioma pleno de silêncios, mas límpido, perceptível como árvore florida. A mão, as mãos, muitas mãos: eis os manequins transfigurados. Eis os manequins com alma, à procura de novo abrigo – não podia encerrar aqui a inesperada aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos, a alma termina, no dia 23 de Outubro, com o leilão das obras de arte. Os manequins, já se disse, saíram da aluvião do devoluto: merecem pois um lugar limpo, sem mácula. A verba proveniente da iniciativa será aplicada nas obras da segunda fase da requalificação do edifício-sede da nossa Instituição, que esperamos iniciar em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigo dirigente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, Jaime Isidoro aceitou sem a mais leve das hesitações participar, graciosamente, como todos os restantes artistas, neste projecto. Deu alma, bem luminosa, a um dos manequins. Entretanto, partiu. Está presente a obra, ele por certo não virá. As mãos, a alma é também tributo, uma sentida homenagem a Jaime Isidoro. De pequenas dádivas de constroem os grandes sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-9095290132786905530?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/9095290132786905530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=9095290132786905530' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/9095290132786905530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/9095290132786905530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2010/10/as-maos-alma.html' title='As mãos, a alma'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/TLGelzVP33I/AAAAAAAAABA/fNBkjAYbtGw/s72-c/jaimeisidoro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-1763750168222563560</id><published>2010-02-04T11:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T11:17:52.947-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Centenário da República'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='César Príncipe'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Máquina de escrever'/><title type='text'>SOBRE O RUÍDO DE FUNDO</title><content type='html'> &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Entrei no JN quando as máquinas de escrever falavam. Na altura, também os jornalistas falavam. Além disso,conversavam,discutiam, contavam anedotas. Quase sempre em voz alta. As direcções e as chefias participavam no frenesim do nascimento diário do jornal. Os colaboradores, os tipógrafos, os funcionários administrativos, os contínuos também integravam o coro. A Redacção era um campo aberto.Comecei a aprender que era essencial ter voz para escrever. Descobri que falar era pensar alto e redundava num compromisso público. Com a Empresa, a Sociedade, a Língua. Consequentemente, prenúncio de acção.  &lt;br /&gt;Mas o matraqueado da máquina de escrever ficou como marcador ambiental. A Redacção assemelhava-se, a certas horas de ponta, a um pavilhão fabril e febril, a um concerto de teclados. Não é que tenha saudades das velhas máquinas. Digo-vos. Tenho saudades do ruído de fundo.&lt;br /&gt;Ouvi dizer que o silêncio se impôs, pouco a pouco, de Sul para Norte.Os computadores não falam, já se sabia. Os jornalistas pouco falam ou falam de nada, foi duro de saber. Dizem-me que pensar é o que está dito, que agir é interdito. Também consta que os leitores dão mostras de impaciência com a quietude das redacções. A voz da rua não se reconhece. Já ninguém diz o meu jornal, o nosso jornal, a não ser  &lt;br /&gt;algum accionista, governante ou banqueiro.&lt;br /&gt;Convidaram-me a visitar uma plataforma logística multimédia. Perguntei se era algum armazém de sucata O2. Juraram-me que era uma antiga redacção. Já sabia que os computadores trabalhavam pela calada.  &lt;br /&gt;Preveniram-me que os jornalistas tapavam a boca por causa da gripe que afecta a classe, desde que o poder das redacções foi esvaziado na Lei de Imprensa; desde que privatizaram o Sector de Comunicação Social do Estado; desde que iniciaram a limpeza da geração das conquistas democráticas; desde que as entidades patronais deixaram cair o princípio de negociação; desde que se concedeu Carteira Profissional a  &lt;br /&gt;todos os que assinavam o nome; desde que encerraram a Caixa de Previdência, mandando os beneficiários e os seus descontos para as filas de espera.&lt;br /&gt;Mas hoje sinto a falta de ruído. A última máquina foi uma Messa. Se a interrogarem, fará saltar a tecla C: este tipo é Camarada. Se fizeram a mesma pergunta a um computador, é capaz também de fazer saltar a tecla C: este tipo é um Chip. É certo que sempre houve de tudo. É certo que também hoje há profissionais competentes e leais. Mas que tal a convocatória de um plenário contra o silêncio? A partir de 2010,nem que seja para comemorar o Centenário da República.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                                        &lt;br /&gt;                                                              &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;         &lt;strong&gt;César Príncipe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-1763750168222563560?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/1763750168222563560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=1763750168222563560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/1763750168222563560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/1763750168222563560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2010/02/sobre-o-ruido-de-fundo.html' title='SOBRE O RUÍDO DE FUNDO'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-3848994654081763659</id><published>2010-02-04T10:59:00.000-08:00</published><updated>2010-02-04T11:00:59.291-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-3848994654081763659?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/3848994654081763659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=3848994654081763659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3848994654081763659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3848994654081763659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2010/02/blog-post.html' title=''/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-5645531185669277965</id><published>2009-10-10T08:04:00.000-07:00</published><updated>2009-10-10T08:22:13.027-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Memória Perecível'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quipedro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>[De onde ainda nos acenam os mortos]</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/StCjUYtHnHI/AAAAAAAAAAM/R76KrPN7vow/s1600-h/quipedro.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 206px; FLOAT: left; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390988324586888306" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/StCjUYtHnHI/AAAAAAAAAAM/R76KrPN7vow/s320/quipedro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Desafiado para a missão de apresentar “Como Vivi a Guerra em Quipedro, Angola no ano de 1963”, livro de António Cadete Leite, eu, avesso a exposições e por achar que outros, traquejados, sabedores, desempenhariam esta incumbência com mais acerto, eu, vencido e honrado pela insistência do autor aqui me querer, aqui me têm.&lt;br /&gt;Aqui me têm para dizer que há homens que atraem histórias. Outros há por quem os dias passam, iguais, sem deixar rasto.&lt;br /&gt;António Cadete Leite tem uma vida plena de histórias, eu sei. Conhecemo-nos há mais de trinta anos e ao longo deste tempo pude testemunhar o seu jeito predador de narrativas. Frequentemente insólitas.&lt;br /&gt;Em Angola, nos primeiros anos de independência, tempo de lúcida exaltação e tempo também de alguma ingénua poesia, quando todos os homens eram camaradas, o camarada Presidente, o camarada juiz, o camarada padeiro, o camarada polícia, o camarada ladrão, o Cadete Leite, docente de Anatomia na Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, era o camarada doutor.&lt;br /&gt;Pessoa conhecida e considerada em Luanda, esteve na fundação da Associação 25 de Abril, sede no centro da cidade, na rua 25 de Abril, mesmo defronte do comando da polícia. Uma tarde, o Cadete chega à Associação, estaciona a carrinha de caixa aberta emprestada pelo Cassiano Campos da Lito-Tipo, no exacto instante em que no quartel da polícia se arma sarrafusca, agentes a correr, metralhadora alçada, e a correr saltam para a carrinha recém-estacionada, e a correr vão todos, os polícias, as metralhadoras, a carrinha, Cadete ao volante, em perseguição dos camaradas gatunos.&lt;br /&gt;Há homens que atraem histórias. Histórias que depois dão em livro, juntam gente, dentro e fora do livro, arriscando-nos todos a que, um dia, por artes literárias, os que se acham fora apareçam dentro de uma próxima narrativa do Cadete Leite. Nesta situação de fora e dentro da obra está a Ana Rosa, mulher e companheira de andanças, estão filhos, estão amigos do autor, estão companheiros d’armas. Nesta ambivalência estou eu, chamado que fui a exercícios fotográficos e ao desenho de capa.&lt;br /&gt;Elegi como ícone da obra um par de botas. Com um par de botas, um valente par de botas, Salazar calçou a juventude, nos mandou para a guerra. Botas que integram cota grada do atavio castrense, se querem lustrosas na cidade, e no mato agasalhavam os pés do medo, medo que perpassa todo o livro.&lt;br /&gt;Mas o livro consentiria outras sínteses icónicas, algumas de transparente mestria, se entre nós sobrevivesse o fulgor da mão do nosso amigo António Domingues a responder ao inevitável desafio de ilustrador da obra. Cheguei a pensar, e ensaiei, intrometer uma ratazana lá onde constam as botas. Uma ratazana a arder. A arder e a lembrar o holocausto dos roedores, círculos de fogo em Quipedro. Ou umas asas a preto e branco, asas de anjo negro, a prometer a redenção da insânia. Ou um quico, o quico do Oitinho, padeiro de Quipedro, o corpo em chaga, em chama, a oferecer o quico, o seu quico, ao Cadete Leite, na hora de ser evacuado para Luanda, o Hospital Militar de Luanda.&lt;br /&gt;Ficaram as botas.&lt;br /&gt;As sínteses são redutoras. Afinal o livro não integra só militares e guerra. Nele cabem paisanos, retratos que ganham corpo e força com a distância, tal qual o olhar do Daniel Faria que aqui nos testemunha.&lt;br /&gt;E aí está o doutor Esmeraldo “no seu carrito modesto e antiquado”, situacionista, a perscrutar os hímens das donzelas e da sua desflorada Pátria. A indignar-se com o redondinho das mamas da estátua da Justiça na baixa madeirense “tão bem torneadas, esféricas e empinadas, como se elas fossem assim”. E hoje o podem ser, o são, como sabemos.&lt;br /&gt;O doutor Ornelas, na sua festa chique, olhar pasmado nas pegadas de lama que o autor lhe pespegou na carpete. O psiquiatra Aníbal Faria, melómano, vestido à francesa, século XVII, cama “redonda, tão imensa que bem poderia acolher quatro ou cinco pessoas, (…) sob uma abóbada invertida repleta de lâmpadas de várias cores”, à mão direita “um quadro eléctrico com fusíveis e alavancas; do lado oposto, um gira-discos”; o doutor Aníbal, a ouvir Tchaikovsky. ”Logo no primeiro andamento começou a esboçar uma espécie de pequenas convulsões ao ritmo da música (…). Em cada um dos quatro andamentos alternou a cor da iluminação. Quando a audição terminou (…) estava banhado em suor”.&lt;br /&gt;A boa senhora da pastelaria da Madeira que continua à espera de um ramo de flores, do Cadete e dos outros que lhe beberam o chá, os sumos, lhe paparam os bolos.&lt;br /&gt;O capitão Sucena!&lt;br /&gt;O capitão Sucena a entrar com a mulher na messe de oficiais de Santa Margarida, ele à paisana, ela luxuosa, jóias, cigarro longo, a apresentarem-se ao autor, a sentarem-se todos a um canto, ela a dominar a conversa “com o desembaraço de um atirador de arma automática”, enquanto ele, cabeça no ombro dela, se entretinha a “passar-lhe a mão pelas coxas, lançar-lhe olhares langorosos, balbuciar palavras em surdina”.&lt;br /&gt;O capitão Sucena, comandante da companhia em Quipedro, entre ratos e mosquitos, homens a feder a suor, alterados e hostis, ele envolto no seu robe de seda púrpura, brasão dos Sucena bordado ao peito, perfumado, a fumar Marlboro, a perorar, distante.&lt;br /&gt;O reitor Navarro, salazarista, o das cuecas de delicada lingerie, transido, a visitar Quipedro no seu fato azul-marinho, camisa de seda branca, sapato de verniz, a proporcionar a salvação: Luanda, Estudos Gerais Universitários de Angola, família, casa, ar condicionado, quilómetros de papel higiénico.&lt;br /&gt;Memórias. Perecíveis memórias que o livro resgata. Impressivo testemunho, documento incontornável sobre a guerra colonial em Angola, nos alvores da luta de libertação. No desespero, na adversidade, no temor, no respeito pela tenacidade do gesto guerrilheiro, aos poucos despertaram consciências deste lado, se forjou uma vontade que eclodiu Abril. O livro, este livro, integra o acervo das obras necessárias para reflectir sobre um período decisivo da história dos povos que falam Português, de modo particular em Portugal, em África. Com verdade, cruzando páginas de vocação documental, um dia-a-dia rés à insânia, à depressão, com relatos impressivos de meticuloso recorte criativo.&lt;br /&gt;Perdura o medo. Medo que se aloja no corpo e nem o tempo apaga, medo de tudo, de todos dono. Perduram os horrores da guerra: minas, emboscadas, bombardeios, napalm, “as lavras incendiadas, homens, mulheres e crianças atingidos ou a fugir em todas as direcções”. E de novo os aviões, o martírio, homens, mulheres, crianças. E de novo.&lt;br /&gt;Perdura o grito do soldado Fernandes engolido pelo buraco da ponte, pela noite, pela trovoada, a chuva, o rio, pelo silêncio das lágrimas. E o tempo a passar devagar. O tempo parado. O sobressalto, a fome, a sopa de capim, os cigarros de capim, a paisagem de capim, o desespero de capim, a falta de tabaco, homens a bater com a cabeça nas paredes, a guerra das cervejas, Cuca, Nocal, a bebedeira, metralha, altercações, intriga, o corpo franzino da prisioneira Graça, fotografada entre sorrisos, depois espancada, entregue à Pide, no mato a bala do mata-alferes, exacta, sobre a fronte.&lt;br /&gt;Perdura o estampido dos tiros sobre a mata hostil, para lhe vazar olhos, lhe matar o hálito, silenciar a voz. Perdura a eternidade de 5 meses de mato. Perdura o adeus do autor: “Entrei no Dornier, partimos. O piloto deu meia volta, sobrevoou a pista a baixa altitude, a malta acenava em despedida. Sobrevoámos depois o aquartelamento. Pela última vez lancei um olhar sobre Quipedro.”&lt;br /&gt;Não foi o último olhar, sabemos. Outros sobrevoos a terra consentiu, Quipedro impôs. Doloridamente. Com meticulosidade e mestria, como quem descarna um osso, disseca o coração. Escreve um livro. Este livro.&lt;br /&gt;Este livro sobre Quipedro, de onde ainda nos acenam os mortos. Nos acena Alcino Jardim, soldado 398 da 384, no seu ataúde, o diz Cadete, “ataúde construído com tábuas de uma das mesas de refeitório e caixotes de embalagens de tabaco, amortalhado nos lençóis da sua cama”. Ao lado, a dizer quem ali jaz, uma garrafa rolhada, lacrada, selada com o sinete da família dos Sucena.&lt;br /&gt;O livro, este livro, rico em ambientes e cenas fílmicas, aguarda que alguém o alcance, dê modelado cinematográfico à narrativa. Heróis e vilãos não faltam emboscados entre páginas. Figuras de ficção, enfim bem reais, o que as torna mais de ficção ainda, figuras prisioneiras todas de Quipedro. Quipedro: três casas em ruína, telheiros, uma capela, um cemitério, sucata, arame farpado à volta. Um livro. Um livro com ânsia de leitores. Este livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Augusto Baptista&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como Vivi a Guerra em Quipedro&lt;br /&gt;Angola no ano 1963&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;António Cadete Leite&lt;br /&gt;Col. &lt;em&gt;Memória Perecível&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ed. Associação dos Jornalistas&lt;br /&gt;e Homens de Letras do Porto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-5645531185669277965?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/5645531185669277965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=5645531185669277965' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/5645531185669277965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/5645531185669277965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/10/como-vivi-guerra-em-quipedro.html' title='[De onde ainda nos acenam os mortos]'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_34r87UGElBk/StCjUYtHnHI/AAAAAAAAAAM/R76KrPN7vow/s72-c/quipedro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-7342313968256668455</id><published>2009-08-11T17:50:00.001-07:00</published><updated>2009-08-11T17:51:20.139-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-7342313968256668455?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/7342313968256668455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=7342313968256668455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/7342313968256668455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/7342313968256668455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/08/o-verao-antigo-nao-cheirava-sargaco.html' title=''/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-3983546450284343431</id><published>2009-07-02T08:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T08:06:32.582-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Assembleia Geral'/><title type='text'></title><content type='html'>Associação dos Jornalistas&lt;br /&gt;e Homens de Letras do Porto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convocatória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Assembleia Geral Ordinária&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos termos do Artº 17 dos Estatutos em vigor, convoco a Assembleia Geral da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto a reunir em sessão ordinária, na nossa sede social, com entrada pela porta da esquina das ruas Rodrigues Sampaio e Bonjardim, no Porto, para o próximo dia 30 de Junho*, pelas 18.30 horas, com a seguinte Ordem de Trabalhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutir e votar o Relatório e Contas referentes ao ano de 2008;&lt;br /&gt;Apreciar outros assuntos de interesse para a Associação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto e Sede Social, 18 de Junho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Presidente da Mesa da Assembleia Geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Germano Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*De acordo com o parágrafo único do artigo 16º, se à hora marcada não houver metade dos sócios efectivos presentes, ficará A AG marcada para sessenta minutos mais tarde, funcionando então com os sócios presentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-3983546450284343431?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/3983546450284343431/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=3983546450284343431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3983546450284343431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3983546450284343431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/07/associacao-dos-jornalistas-e-homens-de.html' title=''/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-96512309213297090</id><published>2009-01-28T03:24:00.000-08:00</published><updated>2009-01-28T03:25:20.768-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jornalismo porto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jorbal de Notícias'/><title type='text'>Qurem calar o JN!</title><content type='html'>Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o “Jornal de Notícias”, resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto. Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção. Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o “Jornal de Notícias” tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário. São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o “Diário de Notícias”. Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do “enviado notícias”, jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais “Diário de Notícias”, “24Horas” e “O Jogo” (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações). O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e “O Jogo” partilham trabalho jornalístico. Com a solidificação deste assustador processo, será o JN o mais penalizado e, com ele, a cidade do Porto, todo o Norte do país, vastas extensões da região Centro e, por conseguinte, a própria qualidade da democracia portuguesa. Toda esta estratégia está a ser desenhada à distância, integrando-se nela a recuperação, há menos de um ano, do cargo de director-geral de publicações, entregue ao director do “Diário de Notícias”. Não importa a qualidade boa ou má dos propósitos, apenas que a estratégia do JN vem sendo traçada por pessoas que desconhecem por completo a história, o papel social, o estilo, os leitores ou os agentes sociais que ao longo de décadas tiveram neste jornal a sua voz. Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia. Com isso, o debate sobre a regionalização será restrito e controlado pelo espírito centralista. Com isso, questões como o peso do Porto e do Norte no Noroeste Peninsular serão menorizadas. Problemas como o da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro serão menos discutidos. A progressão da rede de metro do Porto será menos reclamada. O poder local será ainda mais invisível. O empreendedorismo será asfixiado. A vida cultural será ainda mais silenciada. O país exterior à capital será cada vez mais paisagem. Em sede própria, estão os trabalhadores afectados pelos despedimentos (não apenas jornalistas), muitos deles em situações dramáticas, a lutar pelos direitos que lhes assistem. Aqui, é o jornal que luta pela própria existência. Dentro dos deveres que lhes são impostos, os representantes eleitos pelos jornalistas do “Jornal de Notícias” erguem a voz pela história que lhes cumpre honrar, pedindo que se lhes juntem as vozes de quantos virem na preservação desta identidade uma causa justa. A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como “O Primeiro de Janeiro” e “O Comércio do Porto”. Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-96512309213297090?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/96512309213297090/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=96512309213297090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/96512309213297090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/96512309213297090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/01/qurem-calar-o-jn.html' title='Qurem calar o JN!'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-3358429281715685668</id><published>2009-01-18T08:06:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T08:09:40.570-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colapso do jornalismo no Porto'/><title type='text'>Agência de imagem</title><content type='html'>A Controlinveste - que detém o DN, o JN, o 24 Horas, O Jogo e a TSF - vai criar uma agência de fotografia, que funcionará para as várias redacções, disse à Lusa uma fonte ligada ao processo.&lt;br /&gt;A criação da agência foi confirmada num comunicado  divulgado pelo conselho de redacção (CR) de O Jogo, que não adianta os moldes da nova unidade.&lt;br /&gt;"Quanto à secção da fotografia, o director Manuel Tavares referiu que a mesma será assegurada pela criação de uma agência de fotografia do grupo, mais uma vez sem pormenores quanto os moldes em que a mesma funcionará", pode ler-se na nota em que o CR de O JOGO reage ao anúncio de despedimento colectivo de 122 colaboradores do grupo Controlinveste.&lt;br /&gt;Segundo disse à Lusa fonte ligada ao processo, numa primeira fase a agência irá reunir os fotógrafos de O Jogo, do 24 Horas e do Diário de Notícias, e, posteriormente, os do Jornal de Noticias.&lt;br /&gt;A Controlinveste contactou quinta-feira pelo menos 11 fotógrafos - três de O Jogo, dois do DN, um do 24 Horas e seis do JN - dos quadros da empresa para lhes anunciar que faziam parte da lista dos 122 trabalhadores dispensados pelo grupo.  LUSA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-3358429281715685668?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/3358429281715685668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=3358429281715685668' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3358429281715685668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/3358429281715685668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/01/agncia-de-imagem.html' title='Agência de imagem'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-1980553866716332512</id><published>2009-01-18T08:03:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T08:05:04.745-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Colapso do jornalismo no Porto'/><title type='text'>'Sinergias' do grupo</title><content type='html'>O conselho de redacção do jornal O Jogo, do grupo Controlinveste, lamentou os despedimentos anunciados quinta-feira e lembra que a situação acontece semanas depois de a direcção ter realizado contratações e promoções de jornalistas.&lt;br /&gt;"Os elementos eleitos do conselho de redacção (CR) lamentam a decisão da administração do jornal, especialmente considerando que a mesma sucede poucas semanas depois de a direcção ter procedido a contratações e promoções, nomeadamente contratando um novo director-adjunto e promovendo um novo subdirector, decisões que, tal como o CR alertou atempadamente, pressionaram o orçamento do jornal", pode ler-se num comunicado hoje divulgado.&lt;br /&gt;De acordo com o CR, o director do título justificou a decisão numa reunião realizada quinta-feira "com a necessidade de proceder a cortes orçamentais na ordem dos 800 mil euros, referindo que a escolha dos elementos afectados pela decisão foi determinada por opções estratégicas ao nível daquilo que referiu serem as 'sinergias' do grupo".&lt;br /&gt;A promoção de "sinergias" com os outros jornais do grupo - DN, JN, 24 Horas, entre outros - implica, para o CR, "a perda de independência editorial", facto que "lamenta".&lt;br /&gt;No comunicado, o CR apresenta a sua demissão e convoca eleições, "com carácter de urgência", para segunda-feira.&lt;br /&gt;Já na quinta-feira, os conselhos de redacção do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias tinham reagido ao despedimento colectivo de 122 colaboradores do grupo liderado por Joaquim Oliveira.&lt;br /&gt;Segundo o órgão que representa a redacção do JN, a decisão da administração foi "precipitada, mal justificada, injusta e incorrectamente conduzida", tendo faltado "lisura ao processo".&lt;br /&gt;Por isso, os membros do CR exigem que o processo de despedimento colectivo "seja suspenso, para que possam ser discutidas alternativas" e lembram que "a figura do despedimento colectivo é um último recurso", sublinhando "que não foram esgotadas soluções alternativas de viabilização da empresa".&lt;br /&gt;Também o CR do Diário de Notícias considera que o processo provoca "instabilidade" e manifesta surpresa, já que "recentemente foram efectuadas diversas contratações para os quadros do jornal, com o intuito de colmatar lacunas existentes na redacção".&lt;br /&gt;A Lusa contactou ainda o CR do 24 Horas, que remeteu uma reacção para a próxima semana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-1980553866716332512?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/1980553866716332512/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=1980553866716332512' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/1980553866716332512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/1980553866716332512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/01/sinergias-do-grupo.html' title='&apos;Sinergias&apos; do grupo'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-6432052338089972128</id><published>2009-01-16T08:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-16T08:38:15.977-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalistas despedidos. porto'/><title type='text'>O colapso do jornalismo no Porto</title><content type='html'>Porto, 16 Jan (Lusa) - Pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego nos últimos cinco anos, 54 dos quais no despedimento colectivo anunciado quinta-feira pelo grupo Controlinveste, apurou hoje a Lusa.&lt;br /&gt;Justificado pelo grupo de Joaquim Oliveira com a "evolução acentuadamente negativa do mercado" e a "profunda quebra de receitas", o despedimento abrangeu um total de 75 jornalistas do Jornal de Notícias (JN), Diário de Notícias (DN), O Jogo e 24 Horas.&lt;br /&gt;Destes, 54 (23 no JN, seis no DN, 15 n' O Jogo e 10 no 24 Horas) nas redacções do Porto destas publicações.&lt;br /&gt;No caso do jornal 24 Horas deixou mesmo de existir a delegação do Porto, com a saída de todos os jornalistas que a compunham.&lt;br /&gt;Recentemente, foram também "convidados a sair" três jornalistas da Rádio Regional de Lisboa (Rádio Clube Português), do grupo Media Capital, no Porto.&lt;br /&gt;O esvaziamento das redacções do Porto, de vários órgãos de comunicação social, já vem acontecendo há algum tempo, acompanhado do encerramento de publicações sedeadas na cidade, como O Comércio do Porto.&lt;br /&gt;Este jornal, que era o diário mais antigo do país, foi encerrado em Julho de 2005 pelo grupo que então o detinha, os espanhóis da Prensa Ibérica, que acabou também com A Capital, um dos mais prestigiados títulos de Lisboa.&lt;br /&gt;No caso d' O Comércio do Porto perderam o emprego 50 jornalistas.&lt;br /&gt;Dois anos antes, em 2003, a estação televisiva NTV, um canal regional do Porto criado em 2001 através de uma parceria entre a PT Multimédia e a RTP, dispensou também 25 dos 37 jornalistas contratados a termo certo, tendo acabado por desaparecer para dar origem à actual RTPN, que absorveu os restantes profissionais.&lt;br /&gt;Também em 2003 a Lusomundo Media/PT encerrou a redacção do Porto da revista Notícias Magazine, despedindo os quatro jornalistas que a compunham.&lt;br /&gt;Em 2006 foi a vez de o jornal Público iniciar um processo de rescisões que resultou na saída de 11 jornalistas no Porto (incluindo os correspondentes de Aveiro, Famalicão, Braga e Vila Real), enquanto o semanário Expresso dispensou, em Junho de 2007, dois jornalistas na redacção da cidade.&lt;br /&gt;A estes juntaram-se, em Agosto de 2008, mais 32 jornalistas de outros dos mais antigos diários portugueses, o portuense O Primeiro de Janeiro, alvo de um processo de despedimento colectivo.&lt;br /&gt;Contactado pela agência Lusa, o director da licenciatura de Jornalismo da Universidade do Porto, Rui Centeno, atribuiu este esvaziamento e até encerramento de várias redacções no Porto ao facto de "tudo estar centralizado em Lisboa".&lt;br /&gt;"Como tudo se centra em Lisboa, dispensam-se os mais 'dispensáveis'", lamentou Rui Centeno, que associa também este "desinvestimento" à crise que se vive actualmente e à reestruturação que está a ocorrer nos grupos de comunicação social.&lt;br /&gt;Essa reestruturação, nomeadamente em termos de convergência de meios, "terá repercussões em termos de empregabilidade", sublinhou Rui Centeno.&lt;br /&gt;Enquanto responsável por um curso superior de jornalismo, Rui Centeno manifesta-se "muito preocupado" com a vaga de despedimentos.&lt;br /&gt;Tenta, por isso, encaminhar os alunos para áreas onde o mercado ainda não está saturado, como o jornalismo multimédia e a assessoria.&lt;br /&gt;Também para o director do Centro de Estudos de Comunicação da Universidade do Minho, Manuel Pinho, "as perspectivas que se desenham não são nada tranquilizadoras"&lt;br /&gt;"E não é preciso ser adivinho para ver borrasca no horizonte", escreveu Manuel Pinho terça-feira (dois dias antes de ser conhecida a decisão da Controlinveste), no blogue colectivo "Jornalismo e Comunicação".&lt;br /&gt;No 'post' intitulado "Borrasca no horizonte", Manuel Pinho apontava vários casos de empresas de comunicação social onde se prevêem despedimentos.&lt;br /&gt;"Num ano de agravamento drástico da crise, um dos sectores que mais se ressente, vital para a viabilidade dos media, é a publicidade. Ora essa fonte decisiva de recursos da economia das empresas mediáticas está a secar a um ritmo que alarma os gestores. Não só na publicidade de agência, mas inclusivamente nos classificados", considera.&lt;br /&gt;Em seu entender, "o único sector que dá sinal de uma agitação que chega a raiar o absurdo é o do marketing. Os jornais, em particular, desdobram-se em iniciativas paralelas, num esforço titânico de atrair os consumidores".&lt;br /&gt;"É caso para perguntar o que significam, de facto, os dados ainda recentemente divulgados pela Marktest relativamente à circulação paga. Que quota desses números representa, efectivamente, a procura da informação? Por outras palavras: como poderão as empresas jornalísticas aguentar uma situação, em que estão, de facto, ainda que indirectamente, a subsidiar a compra dos seus produtos?", acrescenta.&lt;br /&gt;No mesmo blogue e na sequência do texto de Manuel Pinho, o ex-jornalista e académico Joaquim Fidalgo considera que "há, de facto, muita "borrasca" no sector dos media. E já não é apenas no horizonte previsível: ela aí está, muito concreta, a precipitar-se dramaticamente em cima das nossas cabeças...".&lt;br /&gt;As reacções aos últimos despedimentos começam entretanto a ser produzidas, como a do presidente da concelhia do Porto do PS, Orlando Soares Gaspar, que, apesar de "não se querer imiscuir" nas questões de gestão interna das empresas, quis manifestar a sua solidariedade para com os jornalistas despedidos.&lt;br /&gt;"Quanto menos profissionais de qualidade tiver a classe jornalística mais esta fica empobrecida", frisou.&lt;br /&gt;PD/PM - LUSA&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-6432052338089972128?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/6432052338089972128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=6432052338089972128' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/6432052338089972128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/6432052338089972128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/01/o-colapso-do-jornalismo-no-porto.html' title='O colapso do jornalismo no Porto'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-2048701333316673146</id><published>2009-01-14T05:04:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T05:05:02.877-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guerra Colonial'/><title type='text'>Memória Perecível</title><content type='html'>Livros: Froufe Andrade publica histórias da guerra colonial na primeira pessoa Porto, 19 Nov (Lusa) - A Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP) lançou "Não sabes como vais morrer", de Jaime Froufe Andrade, um novo título da Colecção Memória Perecível, anunciou hoje fonte da AJHLP. Trata-se de um conjunto de oito histórias da guerra colonial que o autor viveu em primeira pessoa durante a sua comissão de serviço em Moçambique, como alferes miliciano de Operações Especiais ("rangers"), entre 1968 e 1970. São outros tantos retratos da vida que centenas de milhar de jovens portugueses viveram, nos anos da guerra colonial, no meio do "mato", em Moçambique, Angola ou na Guiné-Bissau. As histórias são escritas com dramatismo, em que cabem momentos de humor, perplexidade, angústia e ansiedade, mas também a profundidade psicológica, que faltam a muitos relatos de guerra. As pelo menos duas gerações de portugueses que viveram a guerra em África reconhecer-se-ão facilmente nestas linhas escritas por Froufe Andrade. Noutro capítulo, o autor narra o regresso atribulado de Moçambique a Portugal, a bordo do navio Vera Cruz, sobrelotado com três mil militares. Quando navegava perto do Cabo da Boa Esperança (o mítico Cabo das Tormentas de Camões), na África do Sul, o enorme navio foi atingido, na sequência do efeito conjunto de duas ondas sísmicas e de uma tempestade, por gigantescas vagas, sofrendo graves avarias e tendo estado a ponto de soçobrar. As circunstâncias desta viagem são narradas em primeira pessoa por Froufe Andrade e ainda por um conjunto de 12 depoimentos por ele próprio recolhidos junto de outros militares, oficiais, sargentos e praças, que consigo viajaram. O autor entrevistou ainda o oficial-piloto que estava de turno na ponte de comando do navio e pesquisou ainda o diário de bordo do navio, no Arquivo Central da Marinha, onde recolheu elementos dos dois comandantes que seguiam a bordo, o comandante do navio e o comandante dos militares a bordo. Jaime Froufe Andrade, nasceu em 1945, no Porto. É jornalista profissional, trabalhou durante muitos anos do Jornal de Notícias e integra actualmente os quadros da revista Notícias Magazine, distribuída semanalmente com o aquele jornal portuense e com o lisboeta Diário de Notícias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-2048701333316673146?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/2048701333316673146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=2048701333316673146' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/2048701333316673146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/2048701333316673146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2009/01/memria-perecvel.html' title='Memória Perecível'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7920451683946006921.post-4730993493660001838</id><published>2008-11-23T08:58:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T09:07:03.202-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='associação dos jornalistas e homens de letras do porto'/><title type='text'>AJHLP: cento e vinte e seis anos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Carregar água com a peneira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto completou, no dia 13 de Outubro, 126 anos. Instituição aberta à sociedade, solidária. Desde sempre desaprovou a cómoda visão paroquial, bairrista, para abarcar a prodigiosa diversidade do mundo. Os primeiros estatutos, coligidos por Sampaio Bruno no ano de 1885, realçam a defesa da liberdade de expressão, a representação condigna da classe, o socorro e protecção aos associados. Mais de um século depois, como se o nosso ofício fosse o de carregar água com a peneira, nada ainda está garantido: a matriz permanece inalterável, a firmeza de um dia chegarmos com a peneira cheia de água também.&lt;br /&gt;Somos mais de quatro centenas de escritores, jornalistas, actores, artistas plásticos, personalidades ligadas à ciência – de Portugal, de outras partes da lusofonia, da Galiza. Em Junho de 1901, dezasseis anos depois da abertura, entre os membros da Associação aparece a primeira mulher: Clorinda de Macedo, professora e poetisa.&lt;br /&gt;Intensa actividade cultural marca o longo caminho: por aqui andaram e repartiram a palavra centenas de intelectuais: como Érico Veríssimo, Leonardo Coimbra, Alberto Moravia, Umberto Eco, Teixeira de Pascoaes, Eugénio de Andrade, Luísa Dacosta, José Saramago ou Lawrence Ferlinghetti. Óscar Lopes, durante anos membro do Conselho Literário, foi na década de sessenta, do século passado, um dos responsáveis da programação de vanguarda desta casa que nem sempre o Porto soube respeitar. Quem carrega água na peneira não desiste, jamais abdica.&lt;br /&gt;Empresa imaginativa e persistente, com Loureiro Dias à frente de um restrito grupo de associados, foi a construção da sede. O Presidente da República Bernardino Machado lançou a primeira pedra; anos depois, por volta de 1930, a pedra fez-se casa da palavra não cativa, no coração da cidade. Um ano volvido, por iniciativa de Leonardo Coimbra, a Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto propunha Teixeira de Pascoaes a candidato português ao Prémio Nobel da Literatura. Mais tarde, em períodos diferentes, indicava à Academia Sueca os nomes de Aquilino Ribeiro, Miguel Torga e, por fim, Agustina Bessa-Luís.&lt;br /&gt;A AJHLP dispõe de biblioteca com cerca de 30 mil títulos e arquivo de manuscritos, fotografias e outros documentos de importância cultural de relevo. Dispõe ainda, e talvez seja essa a sua maior riqueza, de imensa capacidade de regeneração: de ser memória múltipla e desfechar as grandes alamedas do devir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II.&lt;br /&gt;Biblioteca, Auditório, Bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos sessenta, o edifício-sede da Associação, construído três décadas antes, mostra os primeiros sinais de degradação. Em 1974 é negociado com a Fundação Gulbenkian um apoio para as obras. A Câmara Municipal do Porto obriga a subir mais dois andares, o que absorve as primeiras verbas. Retraiu-se a Gulbenkian. Entretanto, um subsídio da Secretaria de Estado da Cultura e a oferta de materiais, por parte de algumas empresas, permitem concluir as obras do primeiro andar – primeiro e único, até hoje.&lt;br /&gt;O edifício é composto por cinco pisos; o rés-do-chão está ocupado por dois estabelecimentos comerciais.&lt;br /&gt;Segundo o projecto dos arquitectos António Portugal e Fernando Lanhas, reformulado agora pelos arquitectos Emílio Teixeira Lopes e Pedro Gomes, os dois últimos andares destinam-se à instalação da Biblioteca/Hemeroteca, Sala de Leitura, e do Auditório multiusos com capacidade para cem lugares. No terceiro piso fica o bar/ café-concerto. O restante espaço destina-se aos serviços da AJHLP, depósito de espólio, arquivos e ateliers de criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III.&lt;br /&gt;Meio milhão de poemas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A actividade associativa, nos últimos anos, além da estrutural questão das obras, repartiu-se por colóquios, edições, acções de rua, conferências, lançamento de livros. A AJHLP cooperou com autarquias (Porto, Vila do Conde, Gaia, Paços de Ferreira, Espinho, Famalicão, Fafe, etc.) e instituições como a Sociedade Portuguesa de Autores, Associação Portuguesa de Escritores, Clube e Sindicato dos Jornalistas, Associação de Escritores em Língua Galega, Associação de Escritores de Espanha, Instituto Italiano de Cultura, Festival de Poesia do Condado (Galiza), Inatel, Instituto Português da Juventude. Foi a primeira instituição do Porto que José Saramago visitou depois de conquistar o Nobel da Literatura. Alguns dos seus romances, na década de oitenta, foram aqui lançados. Do lado português, foi a entidade organizadora do Prémio de Narrativa Galega e Portuguesa. Este galardão, patrocinado pelo Eixo Atlântico, é único no género entre os dois países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Poesia está na Rua&lt;br /&gt;No 25º aniversário do 25 de Abril, A AJHLP, com apoio do Inatel, distribuiu cerca de meio milhão de poemas, impressos em panfletos, em todas as cidades do País, de 50 poetas de Portugal, Galiza, Timor e Brasil. O Presidente da República, Jorge Sampaio, participou na distribuição dos poemas – todos eles inéditos – nas ruas do Porto. Aderiram à iniciativa, entre outros, os poetas: Eugénio de Andrade, Manoel de Barros (Brasil), Xanana Gusmão (que nos enviou um poema da Indonésia, quando ainda se encontrava na prisão), Mário Cláudio, Maria Teresa Horta, Daniel Faria, Pedro Tamen, Urbano Tavares Rodrigues. Além dos poemas em panfletos, publicámos, em cartaz, dez poemas de dez autores portugueses entretanto desaparecidos: Natália Correia, Ruy Belo, Alexandre O'Neil, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira, Luíza Neto Jorge, Luís Veiga Leitão, David Mourão Ferreira.&lt;br /&gt;Auto-retrato do Artista Enquanto Jovem&lt;br /&gt;Ciclo dedicado à divulgação de novos autores e criadores de diversas expressões. Entre outros, participaram Daniel Faria (poeta), Manuel Jorge Marmelo (escritor), Rui Pinheiro (fotógrafo), Sílvia Brito (actriz).&lt;br /&gt;A Liberdade de Imprensa na América Latina, com a presença de veteranos da luta pela liberdade de expressão no México, Argentina e Brasil.&lt;br /&gt;Lorca Politicamente Incorrecto, conferência proferida pelo Prof. Alonso Montero.&lt;br /&gt;Evocação a Ferreira de Castro, pelo escritor e cineasta António Amorim.&lt;br /&gt;Homenagem ao poeta Papiniano Carlos, com participação, entre outros, de Urbano Tavares Rodrigues e José António Gomes.&lt;br /&gt;Homenagem aos Poetas da Centelha, esta iniciativa integrou uma exposição das obras publicadas pela editora coimbrã, antes do 25 de Abril; a edição do livro: Poetas da Centelha, com inéditos de António Manuel Lopes Dias, Manuel Alegre, José Manuel Mendes e Rui Namorado .&lt;br /&gt;Prémio Revelação de Poesia Almeida Garrett, destinado a poetas com idades até 30 anos, este prémio teve a sua primeira edição em 1999, e vai ser agora retomado. O livro vencedor, Egon Schiele, Auto-retrato de Dupla Encarnação, Valter Hugo Mãe, foi editada pela AJHLP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CORPOS GERENTES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Direcção&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;F&lt;/strong&gt;rancisco Duarte Mangas &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ugusto Baptista &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;ntónio Cadete Leite &lt;strong&gt;J&lt;/strong&gt;aime Froufe Andrade &lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;anuela Espírito Santo &lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;uno Higino Ramiro Teixeira &lt;strong&gt;X&lt;/strong&gt;. L. Méndez Ferrín.&lt;strong&gt; Assembleia Geral&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;G&lt;/strong&gt;ermano Silva &lt;strong&gt;J&lt;/strong&gt;úlio Roldão &lt;strong&gt;V&lt;/strong&gt;ergílio Alberto Vieira. &lt;strong&gt;Conselho Fiscal&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;L&lt;/strong&gt;eal Freire &lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;lfredo Maia &lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;nofre Varela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeira Fase das Obras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reabilitação das fachadas do edifício da nossa sede, na Rua de Rodrigues Sampaio, 140, teve início em Setembro. A primeira fase das obras, orçada em 140 mil euros, com duração de 120 dias, incide nas fachadas do 1º ao 5º piso e é executada pela empresa A. Ludgero de Castro.&lt;br /&gt;Para concretizar o projecto, a AJHLP conta com verbas provenientes de uma candidatura ao Programa de Equipamentos, apresentada na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, no valor de 70 mil euros.&lt;br /&gt;O restante financiamento provém das seguintes instituições ou entidades:&lt;br /&gt;Fundação Eng. António de Almeida&lt;br /&gt;Fundação Bial&lt;br /&gt;AF PortFólio Imobiário.&lt;br /&gt;APOR – Agência Para a Modernização do Porto&lt;br /&gt;Em todo o processo, sublinhe-se, a AJHLP teve a dedicada colaboração e apoio (nomeadamente na elaboração dos projectos de especialidade) da Câmara Municipal do Porto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7920451683946006921-4730993493660001838?l=homensdeletras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://homensdeletras.blogspot.com/feeds/4730993493660001838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7920451683946006921&amp;postID=4730993493660001838' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/4730993493660001838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7920451683946006921/posts/default/4730993493660001838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://homensdeletras.blogspot.com/2008/11/ajhlp-cento-e-vinte-e-seis-anos.html' title='AJHLP: cento e vinte e seis anos'/><author><name>ajhlp</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03914711356701157954</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
